Para o epidemiologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Jesem Orellana, a hipotese de imunidade de rebanho não deveria sequer ser ventilada (no debería siquiera ser difundida). Trata-se do descaso com inúmeras vidas que não precisariam ser ceifadas pela covid-19 (Es un acto negligente hacia innumerables vidas que no necesitan ser arrebatadas por la Covid-19).
Por Gabriel Valery
Traducción selectiva al castellano por la agencia Sistema de SIIC de Edición Asistida (aSNC), brazo periodístico de SIIC.
Mesmo diante das centenas (Incluso frente a las) de mortes diárias, autoridades e parte da imprensa passam a relatar (y partes de la prensa informan) que algumas cidades podem estar chegando (alcanzando) a uma “imunidade de rebanho“. Para o epidemiologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Jesem Orellana, a suposição é prematura e acarreta em riscos (y conlleva riesgos) para a população.
O Brasil registrou 831 mortes por Covid-19 nas (en las) últimas 24 horas. Com o acréscimo (con el aumento), o número de vítimas no país desde o início do surto (del brote), em março, chegou a 139.808.
Os dados da doença (Los datos de la enfermedad) provocada pelo (por el) novo coronavírus são divulgado diariamente pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).
O (El) número de novos casos de covid-19 foi de 32.817 de ontem para hoje (24) (ayer a hoy 24 de septiembre). Desde fevereiro, o país soma 4.657.702 casos. Os registros desta quinta-feira (jueves) seguem o padrão médio das (el patrón promedio de las) últimas três semanas, com média móvel em cerca (con un promedio móvil) de 800 mortes e 30 mil novos casos por dia. Isso (Eso), sem contar a ampla subnotificação, já (puesto) que menos de 9% dos brasileiros passou por algum tipo de teste.
Laboratório do mal
“É descabida a hipótese (es descabellada la hipótesis) de eventual imunidade de rebanho natural, além de nos remeter a uma (además de arrastrarrnos a una) discussão antiética”, disse.
O estudo é focado na (El estudio se centra en la) cidade de Manaus, que viveu (vivió) uma explosão de casos no (en el) início da pandemia, o que provocou caos no sistema de saúde local. Justamente a capital amazonense é referida no estudo publicado no site (en el sitio) medRxiv – página norte-americana (de los Estados Unidos) de “pré-artigos” (preimpresos) científicos, isto é, de teses ainda não comprovadas (es decir, de tesis aún no probadas).
Jesem, que trabalha em Manaus, lamenta a postura experimental a qual a população brasileira é submetida (a que es sometido la población brasileira) .
O Brasil pouco ou nada fez para conter o (hizo para contener el) avanço da covid-19. Não à toa (No es de extrañr), é o (es el) segundo no mundo com mais mortes, atrás apenas dos Estados Unidos, e testando até 100 vezes menos.
“Manaus não pode continuar sendo um laboratório a céu (cielo) aberto ou tratada como local de experimentos naturais desumanos (inhumanos). É nosso dever defender a boa (la buena) ciência e o SUS (Sistema Único de Salud), em particular a vigilância em saúde nos (en los) territórios mais vulneráveis. Vidas (Las vidas) importam”, alertou. “Milhares continuam sendo infectados e adoecendo (y enfermos) e outras centenas morrendo e, esse tipo de narrativa, só (solo) ajuda a consolidar a ideia de que precisamos forçar a exposição da população a maiores taxas de infecção e contato com o vírus”, completou.
Segunda onda
No caminho oposto, o cientista da Fiocruz vê tendência de aceleração nos casos e mortes, e volta a falar em (vuelve a hablar de) segunda onda (ola). “Se observou aumento do excesso de mortes respiratórias e de mortes por covid-19 no período entre 12 de julho e 22 de agosto, bem como da média (así como el promedio) de internações diárias entre 23 de agosto e 19 de setembro. Seguimos firmes e convencidos de que já foi perdida a oportunidade de frear (frenar) de forma rápida e contundente o contágio do novo coronavírus.”
“Há um nítido, sustentado e lamentável aumento na incidência (casos novos) de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), desde o início de agosto. Esse aumento de casos de SRAG refletem a ocultada transmissão (reflota la transmisión oculta) comunitária do novo coronavírus em Manaus e que ela só não foi mais nitidamente observável semanas atrás porque testa-se pouco e mal no Amazonas”, finalizou para a RBA.
Depois da pandemia, a síndrome respiratória matou 37 vezes mais gente este até o início de setembro, na comparação com o mesmo período do ano passado.
